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Gel vaginal reduz risco de contrair Aids em 39%
AFP
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Médica Quarraisha Abdool Karim, autora do estudo, explica como aplicar gel
Foram muito favoráveis e inclusive entusiastas as reações de especialistas ao anúncio da criação de um gel vaginal que consegue conter em até 54% o risco de contágio pelo HIV. A revelação foi feita nesta segunda-feira (19), em Viena, onde está sendo realizada uma conferência internacional sobre a Aids.
O estudo, intitulado CAPRISA 004, que começou no dia 27 de fevereiro de 2007, tinha como objetivo estabelecer a eficácia e a segurança de um gel com 1% de tenofovir, um componente muito utilizado como antirretroviral, para a prevenção do vírus entre as mulheres. Ele foi realizado com mulheres sul-africanas, de 18 a 40 anos, saudáveis e sexualmente ativas.
A incidência do HIV foi 54% mais baixa entre as mulheres que fizeram o tratamento completo, de 38% entre as que seguiram o tratamento parcialmente e de 28% entre as que recorreram pouco ao tratamento. Em média houve uma redução de incidência de 39%. Não houve efeitos negativos.
Os resultados ainda devem ser validados por uma terceira fase de testes com mais de 4.000 mulheres, que já foi iniciada. Segundo os responsáveis pelo estudo, o gel com antirretroviral poderia "preencher uma lacuna importante na prevenção contra o HIV, principalmente para as mulheres incapazes de negociar com sucesso a monogamia mútua ou o uso do preservativo".
Michel Sidibé, diretor-executivo do Unaids (Programa das Nações Unidas para HIV e Aids), diz que o resultado "dá esperança às mulheres".
– Pela primeira vez vemos resultados sobre um teste de prevenção iniciado e controlado por mulheres. Se for confirmado, um microbicida pode ser uma opção poderosa para a revolução da prevenção e nos ajudará a quebrar a trajetória da doença da Aids.
Já Margaret Chan, diretora-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), disse que "espera com impaciência ver estes resultados confirmados".
– Uma vez que se estabeleça que é seguro e eficaz, a OMS trabalhará com os países e os associados para acelerar o acesso a esse produto.
As mulheres representam 60% das pessoas contaminadas pelo HIV na África, onde há 70% dos casos de contaminação registrados no mundo. Anthony Fauci, diretor do Niad (Instituto Nacional para Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos), diz que o estudo "marca uma etapa significativa tanto para a comunidade de pesquisa em microbicidas como para toda a prevenção da Aids".
– Como as mulheres constituem a maioria das novas infecções no mundo, essa descoberta é um passo importante para que uma população de risco tenha acesso a uma ferramenta de prevenção segura e eficaz. Mas como uma só forma (de prevenção) não é apropriada nem aceitável para todos, devemos continuar investigando toda uma série de meios.
Os microbicidas são produtos que podem ser aplicados tanto na vagina quanto no reto. Ao longo de 20 anos de pesquisas sobre o produto, nenhum dos 11 testes dos seis produtos candidatos demonstrou proteger contra a infecção.
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